Transformando a leitura: Entre telas, livros e clubes literários

Do transporte público ao conforto do quarto, o ato de ler encontra novos espaços e formatos no dia a dia.
No ônibus, no intervalo do trabalho, antes de dormir ou em grupos online, o ato de ler segue presente e vem ganhando novas formas de se adaptar à rotina acelerada. A leitura, que antes se concentrava no livro físico, hoje se espalha pelas telas de celulares, tablets, Kindles, e em alguns casos, até se transforma em experiência coletiva, como nos clubes de leitura.
De acordo com a 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil (2019–2024) realizada pelo Instituto Pró‑Livro e pelo levantamento feito pelo instituto Ipec ─ Inteligência em Pesquisa e Consultoria ─, cerca de 53% da população brasileira não leu “nenhuma parte de um livro” (impresso ou digital, qualquer gênero) nos três meses anteriores à pesquisa. O Cultura 360 foi atrás de ouvir experiências reais para compreender melhor, pelo ponto de vista das pessoas, o rumo que a leitura tem tomado no Brasil.
RELATOS
Pedro Henrique Félix admite que nunca conseguiu criar o hábito de ler. “Perco o foco rápido e acabo me distraindo”, conta. Ainda assim, ele confessa não ter desistido. “Quero comprar um Kindle para aguçar esse hábito e também pela praticidade.”
Já Bruno Ignácio, leitor de ficção, encontrou nos momentos de deslocamento uma forma de manter o contato com a literatura. “Costumo ler no transporte público. O livro físico ajuda a me desligar das distrações”, diz. Para ele, a experiência tátil ainda faz diferença. “Ajuda a focar e torna o momento mais real.” A publicitária Mariana Parpinelli também se identifica com a sensação citada por Bruno. “A leitura fica mais especial. Gosto de passar as páginas, sentir o cheiro do livro novo e destacar o que acho interessante”, afirma Mariana. Mesmo assim, o tempo curto é o maior desafio. “A falta tempo e o cansaço me impedem de ler mais. Às vezes prefiro fazer outra coisa.”
Enquanto alguns ainda se apegam ao papel, outros exploram as vantagens do digital. Giovana Vieira é uma delas. “É mais leve pra carregar na bolsa e não ocupa tanto espaço”, explica. Para ela, o peso e a acessibilidade são os maiores atrativos, mas admite sentir falta do cheiro e da textura do livro físico.
E QUANTO AO AMBIENTE VIRTUAL?
Os entrevistados relataram, também, buscar recomendações e indicações nas redes sociais. Giovana Vieira afirma que costuma ler no caminho do trabalho e, depois que termina, gosta de procurar vídeos no Tiktok de opinião sobre a obra. “As redes sociais influenciam muito as minhas escolhas. Gosto de saber a opinião de outros leitores.”
Mariana Parpinelli também costuma escolher suas leituras por indicações das redes sociais, especialmente o Instagram e o Pinterest, que hoje são vitrines de tendências literárias.
O ambiente virtual também tem fortalecido experiências coletivas. Eduarda Gomes, por exemplo, encontrou motivação ao participar de um clube de leitura. “Eu estava há um tempo sem ler, decidi que queria voltar e o clube veio no tempo certo, o que tem me incentivado bastante.” Para ela, discutir livros em grupo é o que mantém o hábito vivo: “A ideia é muito legal, pois incentiva as pessoas a sempre estarem lendo.”
Apesar das distrações e da correria, os leitores de hoje mostram que a leitura não perdeu espaço, mas se reinventou. Entre o toque de uma tela e o virar de uma página, o essencial permanece: o prazer de se desconectar do mundo por alguns minutos e mergulhar em uma boa história.
E quanto a você, onde costuma ler? Conta pra gente nos comentários qual formato te conquista mais: o livro físico, o digital ou as leituras em grupo?

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